Banqueiros estão preocupados em melhorar o rumo da banca, falam em soluções financeiras, reduzir custos e maximizar recursos e ainda prevêem crescimento, mas sem business intelligence cresce o risco para o accionista e coloca-se em xeque a solvabilidade.

Todos os dias gestores da banca, do topo e da base, se deparam com informações inerentes à sua actividade, algumas mais complexas que outras, desde os rácios em queda ou ascensão à superação da quota de mercado pela concorrência, o que impõe tomada de decisões em ambientes de negócios difíceis. Então, qual a ferramenta que pode ajudar a ultrapassar cenários similares? Já lá chegamos. Quando um banco investe em business intelligence, está a investir em desenvolvimento de conhecimento que o promove a níveis elevados de competitividade. O conceito de business intelligence proporciona aos bancos a avaliação do seu próprio desempenho, o desenvolvimento de uma visão estratégica de longo prazo, competindo na concessão de crédito ao retalho, ao consumo e ao investimento. E quando a business intelligence permite aos bancos analisar a carteira de crédito, permitindo a identificação dos possíveis casos de incumprimento e agir com prevenção e evitar risco sistémico em todo o sistema financeiro? Aqui começa o epicentro da temática.

O sector financeiro nacional está em constante evolução e acompanhado de incertezas, face ao actual contexto macroeconómico, uma realidade que eleva o risco das sociedades financeiras, sobretudo os bancos, aconselhados por analistas a recorrer às soluções de business intelligence para mitigar efeitos negativos nos segmentos de negócios. Na prática, a business intelligence ajuda as instituições financeiras a reduzir custos e maximizar recursos através de análise de processos e acções operacionais para gestão da eficácia. Toda a informação bancária processada no âmbito da business intelligence facilita o risco, inclusive do crédito, porque ajuda à identificação e redução de incidentes derivados de actos fraudulentos como acompanhar o histórico das transacções de clientes.

Também permite aos bancos e outras instituições financeiras calcular a probabilidade de um cliente ficar inadimplente num empréstimo e estimar o custo de recuperação. Na banca angolana, as imparidades formam um problema de difícil resolução, mas depoimentos de banqueiros ao recente estudo da consultora Deloitte Angola sobre a banca nacional reflectem preocupação na busca de soluções. José de Lima Massano, CEO do BAI, diz que o banco quer manter-se entre os principais operadores do sector financeiro em Angola, consolidar a liderança no segmento de empresas, mas mantendo o percurso de proximidade ao segmento de particulares.

"Estamos a construir um grupo financeiro capaz de oferecer a melhor experiência bancária em Angola, sendo relevante os investimentos na melhoria contínua da qualidade dos serviços que prestamos a todos que têm o BAI como seu parceiro. O segmento da banca electrónica "é dos que mais cresce no País e que permite, por exemplo, uma grande sinergia com serviços prestados às pequenas e médias empresas", diz Massano. Para o CEO do BAI, o contexto actual exige que o banco aumente a sua capacidade de apoio financeiro a iniciativas empresariais que reconhecidamente possam contribuir para a protecção de empregos e conferir maior autonomia produtiva a sectores críticos da economia angolana. O CEO do Banco Comercial Angola no, Mateus Filipe Martins, afirma que tem de se olhar para o aumento assustador do crédito vencido e de difícil recuperação que tolda o balanço dos bancos, se converte em prejuízos directos para os accionistas e ameaça a solvabilidade de alguns bancos.

Diz também que as dificuldades na execução das garantias e a morosidade das sentenças na acção executiva leva a concluir que todos os intervenientes - particulares, empresas, bancos e o próprio Estado - devem continuar a melhorar os procedimentos de avaliação de risco e o quadro legal e normativo vigente. "Penso que o papel fundamental da banca é criar segurança nos aforradores, para que estes lhes continuem a confiar os recursos que são indispensáveis para o financiamento do objectivo maior: a diversificação da economia", diz o CEO do BCA.

Acredita-se que sendo bem aplicadas as medidas resultantes da business intelligence, os bancos podem desenvolver políticas efectivas para reduzir a taxa do crédito malparado no decurso de qualquer exercício, bem como garantir o cumprimento dos requisitos legais e regulamentares, um dos principais handicaps do sistema financeiro nacional. Uma perspectiva não diferente tem António Pontes, CEO do Finibanco Angola, quando refere que o risco de crédito passou a ter um crivo mais fechado na análise das operações, pois "há maior atenção à recuperação do crédito vencido com grande ênfase no esforço de garantias". A antecipação (para o quarto trimestre de 2014) do cálculo económico das imparidades do crédito também mereceu ser referenciado por António Pontes.

O Banco Millennium Atlântico (BMA) fechou o primeiro semestre de 2016 com os fundos próprios superiores a 120 mil milhões de kwanzas. O respectivo resultado deveu-se à implementação do novo modelo de governança, onde estão reflectidas as fronteiras de responsabilidades do conselho de administração, que tem o controlo da comissão de supervisão de risco, auditoria, estratégia e negócio internacional e capital humano. Nesta empreitada à management, a comissão executiva teve o mérito de implementar o plano de negócio do BMA, como se pôde depreender dos esclarecimentos de Daniel Santos. Aliás a business intelligence levou o Atlântico aos actuais mais de 150 pontos de atendimento ao cliente no País, com dois mil colaboradores, que servem os mais de 950 mil clientes, alcançando a liderança no fomento ao empreendedorismo nacional - com Angola-Investe.

O banqueiro Coutinho Nobre Miguel, chairman do Banco Sol, referenciou o controlo do risco bancário como um dos pilares do sucesso do sector. O Sol centrou o seu foco na actividade de retalho puro ao private e corporate banking. Definiu pilares estratégicos, como desenvolvimento do capital humano, formação e especialização, crescimento orgânico, internacionalização, reforço da robustez, solidez e resiliência, para alcançar resultados nos próximos quatro anos. O chairman do banco BIC ambiciona para 2017 aumentar a quota de mercado, e dessa forma apostar na diversificação de produtos e serviços a disponibilizar.

Fernando Teles inclui a determinação de melhorar os níveis de eficiência e qualidade, garantindo a satisfação e fidelização dos clientes que acompanham o banco desde a criação, bem como potenciar a captação de novos clientes. "O Banco BIC continuará a assumir um papel de destaque no apoio necessário à diversificação da economia, com especial enfoque no sector primário, sem descurar um maior rigor na avaliação dos diferentes projectos para a concessão de crédito", diz Fernando Teles.

Ciclo de crescimento

Apesar de a banca nacional ter registado uma redução do ciclo de crescimento do rácio de cost-to-income para 45% em 2015, contra os 52% de 2014 (menos 7 p. p.), Alberto Baltazar do Nascimento, formado em finanças internacionais, acredita que seria ainda mais reduzido se os bancos comerciais não aplicassem a business intelligence.

Na perspectiva de Baltazar Nascimento, ao usar uma solução de business intelligence para analisar dados organizacionais, os bancos poderiam melhorar e agilizar a eficiência operacional. Também pode facilitar a estratégia de venda e marketing, sem descurar o desenvolvimento de programas de atendimento ao cliente e mitigar o risco. "A business intelligence douta as instituições bancárias com informações exactas sobre os clientes, relativamente à aceitação de novos produtos e serviços", afirma. A chamada actividade de canal para melhorar a segmentação de campanhas online, tornando os processos de aplicação de conta e financiamento mais transparentes, é admitida pelo economista como viável.

Baltazar Nascimento é também docente de Contabilidade de Custos, e nessa temática admite também que os bancos, ou qualquer instituição financeira, podem estabelecer benchmarks, considerado uma ferramenta fundamental para métricas cruciais, como número de novos clientes e os lucros, comparando com os padrões do sector. Trata-se de ferramentas muito usadas hoje na banca ocidental para melhorar a gestão bancária, o que facilita o desenvolvimento de campanhas de marketing e vendas mais eficientes, através da segmentação detalhada e precisa dos clientes, assim como analisar segmentos da banca de retalho, consumo e investimentos de acordo com os lucros e custos. "Também ajuda a identificar e manter activamente os clientes rentáveis", informa o economista.

Outra vantagem que se pode tirar da aplicação da business intelligence na banca consiste na segmentação dos clientes, pois tal facto facilita que o banco os conheça melhor. Assim, um banco pode compreender melhor as necessidades dos clientes e os seus sentimentos em relação ao sistema bancário. Como consequência, poderá desenvolver, implementar e oferecer novos produtos e serviços financeiros líderes de mercado. "A base de clientes pode ser analisada para determinar a rentabilidade entre sucursais e produtos, tal como desenvolver novas oportunidades de cross-sell e up-sell; campanhas de marketing em conformidade", afirma Baltazar Nascimento.

Fonte: Rumo

Publicado a 01/1/2017